Doc n°44
Lá se vão mais de 20 dias desde a ultima vez que aqui estive para postar algo. Agradeço a visita e a paciência de quem aqui esteve e espera por algo novo.
Chateações superadas, confesso um tanto de improdutividade intelectual após mais um semestre da universidade, o último por sinal e da correria decorrente desse.
Pensei em “n” coisas para escrever e compartilhar com vocês, mas não conseguia desenvolver nada.
Acredito que tenha algo que consegui escrever um pouco melhor, e que não tenho dúvida, vale a pena compartilhar. Pensando bem, parece muito desorganizado e atropelado esse texto, sinto muito. Fazer o quê?
É a capacidade de ainda ser humana
Ta mais isso eu já sou, mas é aquela capacidade, muitas vezes adormecida, de se sentir assim.
Ver as pequenas coisas, perdidas no caminho, que estão ali a espera de que alguém as vejam, que apreciem a sua beleza. Estão ali geralmente para trazerem paz e um sorriso as faces sisudas que por ali passam, normalmente apressadas e indiferentes a sua existência.
Digo que eu estava como desses, estava super apressada, mal humorada, perdido a capacidade de olhar ao lado, ver os detalhes. Tinha acabado de brigar com uma pessoa e fui caminhar devido a disciplina que estava fazendo (PD - prática desportiva), faltava só bufar de raiva.
Eis que então, nessa caminhada em um dia nublado vi um pequenino pé de maracujá, parei para observá-lo (apreciei por breves, mais significativos, 10 minutos). Estava repleto de flores, magníficas flores (as mais belas flores ao meu ver são as flores de maracujá, com exceção do maracujá doce, que não tem suas flores tão encantadoras), envolto por muita vida, muitos bichos ali buscavam néctar, alimento e vida, conscientes ou não de seu papel de proliferadores desta última.
Uma beleza sem igual capaz de apaziguar meu espírito, deleitar-me a vista e me fazer feliz, por ver que ainda sou capaz de ver uma beleza como essa “perdida” no caminho esperando que alguém a perceba, ver que ainda olho ao meu redor e que não estou tão bitolada assim nessa correria e sociedade que nos deixa céticos e cegos.
Descobri –me alegre por parar e observar uma vida tão pequena e bela, repleta de vida a sua volta. Senti-me humana novamente, um tanto romântica ainda e capaz de ver, apesar de tudo, as pequenas coisas a minha volta.
Ochaya, 30 de janeiro de 2005
Escrito por ochaya às 21h46
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